Sou a 9ª filha de uma prole de 10 filhos. Meus pais, na época, ainda não sabiam como evitar filhos...
Quando minha mãe engravidou de mim, sua médica, uma japonesa que veio pequena para o Brasil, muito boa e dedicada, a convenceu de ligar as trompas. Meu pai relutou. No entanto, a médica já tinha virado amiga do casal e conseguiu convencê-los. Tudo acertado. Do terceiro para o quarto mês, minha mãe contraiu escarlatina. Há 48 anos, isso era preocupante para minha formação. A médica conversou com a equipe médica. Concluíram ser o aborto a melhor saída, pois certamente a doença teria me afetado. Nasceria com alguma sequela (cega, surda, com algum tipo de retardo, enfim...). Ela comunicou o fato aos meus pais, dizendo que conseguiu autorização da igreja para consumar o aborto. Meu pai, muito religioso, decidiu não fazê-lo. Minha mãe concordou, depois que melhorou da doença que a abateu profundamente. Depois de oito filhos sãos, se Deus tivesse dado a eles uma missão de ter um filho especial que fizesse a vontade Dele.
A médica ficou emocionada com sua decisão e disse que tinha ficado muito feliz, pois ela também teria agido daquela forma. Ela acompanhou a gravidez com certa tensão. Naquela época não tinha ultrassonografia, nem exames mais sofisticados para analisar a saúde do bebê. Meus pais esperaram ansiosos pelo meu nascimento. Tudo certo para fazer a cesariana e a ligadura. Porém, um febrão inesperado e contrações antes do tempo previsto impediram minha mãe de ligar as trompas.
Depois de algumas horas de agonia, reaparece a doutora chorando muito, abraçou meu pai e disse: é uma menina linda, Antônio! E perfeita! Não é preciso dizer que os dois choraram e riram felizes! A fé dos dois talvez tenha colaborado para que eu nascesse perfeita. Como meu pai era muito grato a ela, a única forma que ele encontrou de agradecê-la e, também, homenageá-la foi dar seu nome para mim. Já adivinharam que doutora Helena ficou emocionada, não é?
Depois de moça, em todos os meus aniversários, meu pai contava essa história. A cada vez, seus olhos brilhavam e ele dizia para mim: Hoje, aquele milagre faz mais um ano!
Infelizmente, há 5 anos não ouço mais essa história, mas certamente ele conta para alguém lá em cima o orgulho que ele e minha mãe tiveram de não deixar um ser indefeso ser abortado...Nossa... me emociono até hoje com essa história. Tenho o maior orgulho de meu nome ser o dela. Ela era uma pessoa dedicada a ajudar os outros...
CURIOSIDADE: Não poderíamos deixar uma história comovente como essa terminar sem conhecer o real significado do nome da nossa colaboradora...então aí vai...
Helena = tocha de luz, iluminada

Esperamos com este depoimento mostrar como saber a origem do seu nome e da sua história faz diferença para que o indivíduo reconheça a sua importância e o seu papel no mundo, ou seja, a sua verdadeira identidade.
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